segunda-feira, 26 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
Homenagem as Mulheres
Com muita alegria que parabenizamos as nossas fieis e guerreiras, companheiras mulheres pelo seu Dia Internacional da Mulher. Parabéns em especial a todas as mulheres que participam do nosso Grupo de Capoeira.
sexta-feira, 2 de março de 2012
MESTRES DO SABER
A sabedoria popular sempre foi uma ferramenta para a evolução da humanidade. Lideres de todas as etnias sempre deram um valor especial a ela, orientando-se pelos seus sábios. Um mestre sempre tem seu seguidor para a continuidade de suas praticas, seduzindo as comunidades por onde passa através da oralidade. Todo o mestre tem esta tarefa a cumprir, com precisas verdades de suas vivências ou transmissões do conhecimento.
Uma informação por muitas vezes não se pode mudar nenhum ponto. Como por exemplo, para a localização de um ponto d’água ou obtê-la no deserto do Saara. O erro desta orientação pode colocar em risco todo um grupo que precisa desta orientação para fazer sua jornada.
No Brasil, há Mestres dos mais diversos segmentos da tradição negra, tendo informações necessárias para manter viva a identidade de seus ancestrais, contando historias de seu tempo através da musica, da sua religiosidade e da educação familiar, princípios da vida, a relação com o meio ambiente, e as diversas formas de luta e dança na resistência de um povo guerreiro que se manteve com dignidade a luta pela sua liberdade.
Quando o saber não é transmitido, nossos jovens perdem sua identidade desrespeitando e perdendo a noção de valores de seus ancestrais. A transmissão através da palavra torna a pessoa responsável pela sua divulgação conforme a sua intenção. Nos terreiros as yalorixás, na capoeira dos malandros e nos sambas os mestres e guardiões da historia oral.
Atualmente surge uma nova versão do mestre do conhecimento, que buscam dos sábios o máximo de informação possível, medindo, comparando sua importância, escrevendo teses e pensamentos e o saber muitas vezes é reciclado para um dia ser reaproveitado ou registrado como lembranças do passado. A autoria do conhecimento limita a sua evolução e a liberdade, não permitindo dialogo e critica com propostas de evolução do pensamento original.
Os mestres, enquanto tradição educacional, são descartados, perdendo sua importância. A cultura supervalorizada, distanciada de sua origem e vendida em nível de exportação, dando uma roupagem a expressão “Cultura Brasileira”, e os verdadeiros donos, os negros são esquecidos e abandonados. Alguns poucos mestres com coragem acabam saindo do país na sua busca de auto sustentação com o instrumento de transformação e solidificação da humanidade. O que, na verdade, dá status nacional nos meios de comunicação e expressão desta nova cultura de massa, também tem que ter um rosto ou perfil que agrade o publico alvo, porém torna-os cada vez mais distantes da raiz.
Devido a esta realidade é cada vez mais importante resgatarmos nossa verdadeira identidade negra utilizando as ferramentas que estão a nossa disposição, de forma que todas as pessoas possam ter acesso livre através da internet a essas informações da arte de viver negra, que seduz estudantes de todo o mundo.
Como primeira experiencia estamos com a proposta de lançarmos um livro de nossas vivencias educacionais, para que possamos trocar praticas milenares com outros destas áreas, construir um dialogo de aprendizado e construção de nossa tradição com os mais diversos saberes com quem tiver interesse, sem limitações ou intermediários, na evolução destes diálogos. Buscamos destacar a historia da capoeira de raiz, a confecção dos tambores e sua simbologia, o samba de umbigada desenvolvido no grupo, as tribos carnavalescas quase extintas no estado, o moçambique no interior do estados, os quilombos gaúchos e suas dificuldades e conquistas e especialmente a vivencias destes mestres e guardiões.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
O Inicio da Capoeira
A história começa no século XVI - Brasil colônia. Trazida da Angola, onde faziam muitas danças ao som de músicas. Proibidos por senhores de engenho de lutarem os Africanos que na época eram perseguidos e capturados por capitães-do-mato, criaram então o ritmo e os movimentos de suas danças africanas, adaptando a um tipo de luta. Surgia assim a Capoeira, uma arte marcial, disfarçada de dança. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão.
Do nome deste lugar surgiu o nome da luta. Até o ano de 1930, a pratica ficou proibida no Brasil, pois era vista com uma prática violenta e subversiva. A policia recebia orientação para prender os capoeiristas. Foi neste ano que Mestre Bimba, apresentou a dança ao presidente Getulio Vargas. O presidente gostou tanto da arte que a transformou em esporte nacional brasileiro. Muita malícia, golpes mais baixos (próximo ao solo) num ritmo musical lento, caracterizam a Capoeira da Angola. O estilo regional caracteriza-se pela mistura da malicia da Capoeira da Angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizados. Já o terceiro tipo de Capoeira é o contemporâneo, que une um pouco dos dois primeiros estilos. Este último estilo de Capoeira é o mais praticado na atualidade.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
O Tambor
Acredito que o tambor é o maior dicionário implícito destes eventos étnicos, ligado diretamente ao coletivo imaginário destas expressões culturais. É a ferramenta chave para desvendarmos ações e comportamentos de cada grupo, pois assim como o seu formato demarca sua procedência, seu ritmo é construído através de vocábulos, dando-lhe vida própria.
O tambor de dois lados, de nome Inhã (Angola/Congo) ou Batacoto (Nigéria), define sua função, com o uso de uma das extremidades:
· O lado do tambor de boca maior, relacionado com o mundo real, material;
· O lado do tambor de boca menor, relacionado com o mundo espiritual, imaginário.
Reforçando a interpretação africana da Criação através dos quatro elementos, que multiplicados entre si dão origem a outro elemento vital, e ainda utilizando o exemplo do tambor para dar uma explicação a tais fatos, posso dizer que a união de potencialidades diferentes (o couro da pele do animal e o tronco de árvore, vegetal), possibilita que uma terceira potencialidade se manifeste através do som, ocorrendo um diálogo entre o mundo real e o imaginário.
O tambor é um instrumento de seriedade e de respeito, utilizado como forma de comunicação, que faz despertar sensações de prazer, podendo nos remeter à nossa ancestralidade.
Sendo assim, o imaginário, por não ter uma consistência física, não quer dizer que não exista, influenciando comportamentos sócios antropológicos dos envolvidos. No entanto, essa representação do imaginário, está explícita em símbolos e sinais comuns a estes grupos, expressando informações sobre os indivíduos e como eles lidam com o meio ambiente.
Símbolos fazem parte do cosmovisão africana, permitindo que se estabeleça um diálogo através da interpretação de seus costumes e tradições. A simetria dos símbolos pode transmitir imagens de saúde, beleza, grupo étnico, religião.
Alguns rituais religiosos utilizam formas geométricas simples em seus iniciados como atributo de proteção e espiritualidade. Esta relação nos é comprovada na troca de informações com outros grupos sociais simples que assim afirmam sua identidade étnica. Informações implícitas, representadas através de símbolos, que, por vezes, podem ter duplo sentido, conforme a circunstância.
O homem constrói valores e comportamentos próprios, determinando o que seria o bem e o mal a partir de si mesmo. Depois acredita tanto neles que os transforma numa verdade que sempre existiu. Esses valores só existem para quem acredita nessas idéias, se tornando seguidor de seu imaginário, originando códigos de ética e visões de mundo.
Com isso nós podemos concluir que o tambor é a ferramenta utilizada na socialização de costumes e tradições dos grupos étnicos de origem africana e esta forma de ensinamento ''informal'' é utilizada para transmitir valores étnicos e sociais por gerações.
Podemos dizer que o tambor está para o negro assim como a bíblia está para o pastor e o arco e flecha para o índio. Por este motivo é um objeto sagrado de espiritualidade e sobrevivência de sua espécie.
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